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Em 2026, o Brasil celebra o centenário de nascimento de Milton Santos, um dos intelectuais mais importantes da história do país e um nome de projeção mundial na geografia. Esta rememoração é de tamanha importância que a UNESCO incluiu a data na lista de aniversários relevantes celebrados internacionalmente no biênio 2026–2027, reconhecimento reservado apenas a personalidades de impacto amplo na cultura, na educação e na ciência.
Para nós, da Lumi, esse centenário também tem um significado especial. Tivemos a oportunidade de desenvolver, para a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o vídeo em whiteboard animation sobre Milton Santos dentro da série Ciência Gera Desenvolvimento, uma iniciativa de divulgação científica que aproxima grandes trajetórias da ciência brasileira do público amplo.
Quem foi Milton Santos
Nascido em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia, Milton Santos construiu uma trajetória rara, tanto pela densidade intelectual quanto pela repercussão internacional. Geógrafo, professor, escritor e pensador do espaço urbano e da globalização, ele desenvolveu uma obra que ultrapassou os limites da geografia e passou a influenciar também campos como economia, planejamento urbano, sociologia e pensamento social latino-americano.
Um brasileiro com reconhecimento internacional incontestável
O peso internacional de Milton Santos não é retórico: ele foi o primeiro pesquisador fora do eixo anglo-europeu a receber, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, frequentemente descrito como a principal honraria mundial da geografia.
Ao longo da carreira, publicou cerca de 40 livros e teve atuação acadêmica em diferentes países. Durante o período de exílio imposto pela ditadura militar, trabalhou em instituições na França, Estados Unidos, Canadá, Peru, Venezuela e Tanzânia, ampliando ainda mais o alcance internacional de sua produção intelectual.
Além disso, acumulou mais de uma dezena de títulos de Doutor Honoris Causa, concedidos por universidades que reconheceram a relevância de sua contribuição para o pensamento contemporâneo.
Esse conjunto de prêmios, livros, circulação internacional e influência acadêmica ajuda a dimensionar algo importante: Milton Santos não foi apenas um grande autor brasileiro. Ele foi um pensador global, lido, debatido e respeitado em escala internacional. Em um país acostumado a subestimar sua própria produção intelectual, o centenário de Milton Santos é também um lembrete de que o Brasil já formou, e continua formando, pesquisadores capazes de influenciar debates centrais no mundo.
A ciência de volta aos holofotes do palco brasileiro
Falar de Milton Santos em 2026 não é apenas revisitar o passado. É discutir o presente e, principalmente, o futuro do país.
Neste momento de cenário geopolítico conturbado, a ciência foi posta no centro de temas estratégicos para o desenvolvimento brasileiro. O debate passa por inteligência artificial, processamento de terras raras, transição energética, produção de combustíveis, vacinas, inovação industrial, agricultura sustentável e produção de fertilizantes.
Mas há um ponto decisivo aqui: nenhuma dessas agendas se sustenta sem continuidade, sem formação de pesquisadores, sem instituições fortes e sem financiamento consistente. A própria ABC respalda a opinião de que o desafio brasileiro não é apenas escolher temas promissores, mas garantir capacidade de implementação, articulação institucional e visão de longo prazo. Em paralelo, a comunidade científica segue alertando que inovação não pode depender de iniciativas isoladas ou fragmentadas.
Isso é justamente o que Milton Santos chamou de meio técnico-científico-informacional, fase em que ciência, técnica e informação passam a organizar o território e a definir, de forma cada vez mais desigual, quem tem acesso a oportunidades, riqueza e desenvolvimento. Em 2026, quando o Brasil discute transformação digital, transição verde e reindustrialização, essa tese permanece extremamente atual.
Ciência Gera Desenvolvimento
A ABC, fundada em 1916, é uma entidade independente, sem fins lucrativos, com mais de 900 membros, dedicada à promoção do desenvolvimento científico, educacional e social do país. Dentro dessa missão, a série Ciência Gera Desenvolvimento cumpre um papel muito importante: mostrar, de forma acessível, como a pesquisa científica produz benefícios concretos para a sociedade.
Criado em 2017, o projeto reúne 11 vídeos curtos de animação sobre cientistas brasileiros cujas trajetórias ajudam a demonstrar, com exemplos reais, que investir em ciência não é luxo nem assunto restrito à academia. É parte do desenvolvimento nacional. Dessa forma, um dos objetivos centrais da iniciativa é conscientizar o público sobre o valor, inclusive econômico, do investimento em produção científica.
100 anos repletos de reconhecimento e ávidos por continuidade
Celebrar o centenário de Milton Santos é reconhecer um intelectual brasileiro de alcance global. Mas isso, sozinho, ainda é pouco. A data também nos convida a perguntar qual país queremos construir e qual lugar a ciência deve ocupar nesse projeto.
O legado de Milton Santos mostra que pensamento crítico, produção científica e compromisso com a realidade brasileira podem – e devem – caminhar juntos. A série Ciência Gera Desenvolvimento, da ABC, reforça exatamente essa ideia ao apresentar pesquisadores que ajudam a explicar por que ciência não é um tema periférico, mas uma base concreta para o desenvolvimento do país.
Nós da Lumi temos muito orgulho de termos feito parte de um projeto que reverbera essa história.
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